29.8.06

Achados imperdíveis

A coluna de música mudou. Agora, toda semana, estará aqui algum disco, que por algum motivo, não ganhou grande destaque. Poderá ser um disco novo ou velho, brasileiro ou estrangeiro, desde que seja um achado.

Para inglês ver e ouvir

Caetano anda meio sumido, mas em uma de suas entrevistas ele disse que faltava pretensioso no mundo. E Pretensão, que se preze, necessita de um pouco de ousadia. Então vou ser ousado a ponto de dizer que esse disco é o melhor da vasta discografia de Caetano.

“Esse disco” não tem nome. Na época, não se costumava dar nome aos discos. As capas tinham apenas uma foto ou pintura com o nome da banda ou do artista. Geralmente quem escolhia o nome era o público, em muitos casos o nome escolhido era o mesmo da música que abria o disco. Mas nesse caso, ficou conhecido como London, London.

As particularidades não param por aí, London, London foi gravado durante o exílio de Caetano nas ilhas britânicas. É todo cantado em inglês (talvez esse seja o grande mérito do disco), tem a influencia de George, Ringo Paul e John onipresente. Com doses pesadas de sofisticação musical Caetano canta o Brasil. Dedica uma música a Luiz Gonzaga e outra a sua sister Bethânia. A quem pedi uma letter.

Dizem que uma obra de arte se torna mais digna, quando marcada pelas imperfeições do autor. Nesse disco a limitação de Caetano é brilhante, sem dominar o inglês e sabendo que os ingleses conheciam mal e porcamente João Gilberto, Caetano faz um disco sonoramente

Vertiginoso e literariamente exato.

Caetano ainda desconhecido na Europa, é apresentado no encarte do vinil como um superstar in Brazil. Só que o superstar, antes desse disco, era muito competente e pouco pretensioso. Nesse disco, só então, sua pretensão rende bons frutos.

Llondon,Llondon tem os primeiros e mais belos traços do tropicalismo. Caetano nos livra de sua verborragia genialmente enjoativa e se mostra um compositor de poeticidade jornalística. Poeticidade, essa, presente em suas grandes canções como domingo no parque.

Não só por isso o disco vale a pena, mas também por se tratar de um disco que manteve as portas do mundo abertas a música brasileira, pós-bossa nova. E também manteve as portas da música brasileira, pós-bossa nova, abertas, para que a música mundial aqui entrasse e se tornasse parte vital e essencial.

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